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Preliminarmente, vejamos, em breves linhas, quem foi o estimado e valoroso
biógrafo do mestre.
O autor da
“Biographie d’Allan Kardec”, prefaciada pelo Engenheiro Gabriel Delanne e,
posteriormente, por Leon Denis (em 1910 e 1927, respectivamente), desencarnou
em Étoile (Drôme), Franca, a 26-2-1928, aos 76 anos.
Dedicou-se,
a partir de 1869, à difusão intensiva do Espiritismo, relevando-se admirador de
Allan Kardec e, mais tarde, de Léon Denis. Integrado no movimento espírita de
Lyon, onde residiu (88) até poucos anos antes de sua desencarnação, foi um dos
fundadores, em 1873, da “Société Spirite Lyonnaise”. Durante mais de 20 anos,
foi Presidente, aliás muito dinâmico, da “Société Fraternelle pour l’Étude du
Spiritisme”. Também fundador, em 1885, da “Fédération Spirite Lyonnaise”,
entidade formada graças a esforços que desenvolvia, desde 1883, com um grupo de
confrades.
Dotado de
vontade férrea e muita perseverança, lutador disposto a sacrifícios, participou
de inúmeras Sociedades, entre elas a “Union Fraternelle de Valence” e a “Union
Spirite Française”, recentemente desaparecida (vide Editorial de “Reformador”,
abril de 1977).
Escreveu nos
principais órgãos espíritas europeus, chegando mesmo, em 1915, a fundar um
jornal, “Le Spiritisme Kardéciste”, que foi, por quatro anos, o porta-voz da
“Fédération Spirite Lyonnaise”. Entre os livros de sua autoria, publicados,
figuram “La Réincarnation selon le Spiritisme”, “De Preuves, on voilà!” e “Le
Spritisme Transcendental”.
Apesar de
suas ocupações profissionais, comerciante que era, precisou enfrentar, não
raro, momentos difíceis, críticos mesmos, contestando acusações gratuitas aos
espíritas e à Doutrina, sem falar das perseguições movidas por adversários
intransigentes. Os ardis exigiram, muita vez, dos pioneiros, quais Henri
Sausse, testemunhos heróicos.
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(88) Ignoramos se H. Sausse nasceu em Lyon, bem assim
a data exata do seu nascimento. Foi sepultado a 29 de fevereiro de 1928. era
estimadíssimo.
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Em 1844,
seis anos antes de vir à luz o “Obras Póstumas” de Allan Kardec, organizado por
P.-G. Leymarie (1ª edição, 1890), Henri Sausse, comparando exemplares de uma
das três edições iniciais (primeira tiragem) – milheiros – e de uma posterior a
essas, notou que haviam sido introduzidas modificações no texto de “A Gênese”.
Pensando ter localizado clamorosa fraude, pois desconhecia que as alterações se
deviam à iniciativa do próprio Codificador – e este desencarnara pouco antes da
impressão das edições subseqüentes àquelas aludidas -, agiu irrefletidamente ao
denunciar publicamente como infâmia o que ele, em verdade, não entendera bem. O
injusto libelo figurou no jornal dirigido, à época, por Gabriel Delanne, mas
foi pulverizado, incontinente, por enérgicos artigos, fartamente documentados,
de P.-G. Leymarie e alguns companheiros, entre os quais o antigo secretário de
Allan Kardec e de “Revue Spirite”, Sr. Desliens. Adiante, trataremos, com
minúcias, do doloroso caso, com a eqüidade que o fato histórico e a importância
da obra “A Gênese” impõem, a fim de que se não acolham, na História do
Espiritismo, versões equívocas de uma ocorrência quase centenária, gerando confusões
com os escritos de Allan Kardec.
O episódio,
no entanto, ter-lhe-á valido por dura experiência, tornando-o suficientemente
vigilante na expansão de suas energias de moço, amadurecendo-o para os labores
incessantes dos quarenta e três anos de lutas que se seguiram, até 1928.
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Neste trabalho, para consultas e pequenas transcrições, louvamo-nos em muitas
obras, entre elas: «Biographie D’Allan Kardec», de Henri Sausse, 4me Édition,
Ed. Jean Meyer, Paris, 1927; Idem,tradução castelhana de Balbino J. Castro, Ed.
Víctor Hugo, B. A ires, 1952 (Apêndice, pp. 141/145); Léon Denis, «L’ Apôtre du
Spiritisme – As Vie, Son Oeuvres», de Gaston Luce, Ed. Jean Meyer, Paris, 1928;
Idem, tradução de Miguel Maillet, Edicel, S. Paulo, 1928 (1ª edição em português);
«Páginas de Léon Denis» de Sylvio Brito Soares, 1ª edição, FEB, 1961 (desta
última, retiramos vários textos).
Texto transcrito por Mara Fialho do Livro Allan Kardec Pesquisa Bibliográfica e
Ensaios de Interpretação de Zeus Wantuil e Francisco Thiesen, volume III,
página 300 a 302, FEB.
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