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Eduardo C. Monteiro
edumonteiro@nw.com.br
Terceiro filho e o
caçula do casal João Felix Pitta e Mathilde Adelaide Pitta, João Leão nasceu em
Funchal, Ilha da Madeira (Portugal), no dia 11/04/1875 e faleceu em Piracicaba,
no dia 11/02/1958 com 82 anos.
Casou-se no Brasil com Maria Joaquina dos Reis Pitta, nascida em Lisboa.
Tiveram 12 filhos e criaram mais dois: Maria Rosa, Maria Isabel, Maria Inês,
João de Deus, Doralice Haladia (Senhorinha), Mathilde Adelaide (Lita), Urubatão
(Orinho), Benvinda Joaquina, Maria Emilia (Nena), Zoraide, Maria Eugênica
(Geni), Messiota e de criação: Isaura e Tica.
Pitta veio para o Brasil com 16 anos fugido dos pais, que o queriam como padre,
só com quatrocentos réis no bolso. Entrou clandestinamente no navio e só se
apresentou em alto mar ao comandante. Para pagar a viagem, trabalhou como
faxineiro e ajudante de cozinha. Desembarcou no Rio de Janeiro e Empregou-se
numa padaria onde dormia sobre os sacos de trigo.
Não demorou a desencantar-se com a cidade grande e tendo ouvido falar sobre a
vida pacata da cidade paulista, Piracicaba, desejou conhecê-la. Tinha o
equivalente à atual oitava série, cursada na Ilha da Madeira. Gostava muito de
ler e, com isso, ao longo dos anos, tornou-se uma pessoa muito culta.
Quando em Piracicaba, a pedido do sr. José Reis, passou a ensinar as primeiras
letras à filha Maria Joaquina. Nessa época as mulheres só estudavam em suas
casas. Numa das aulas a pede em casamento, para susto da mesma.
Em 1902, depois de casados e com filhos, voltou ao Rio de Janeiro, em busca de
novas oportunidades de trabalho, pois em Piracicaba sua situação era difícil.
No Rio de Janeiro permaneceria o tempo necessário para conseguir uma profissão.
Trabalhou como tecelão, chegando a ser Mestre na Fábrica de Casemira Aurora.
Era ateu, materialista e muito bravo.
Ao perder a vida uma de suas filhas, Pitta se socorreu junto a um Grupo
Espírita, convertendo-se, então, ao espiritismo.
Em 1930, resolveu trabalhar na sua divulgação, fazendo propaganda e angariando
assinaturas para a Revista Internacional de Espiritismo e para o jornal O
Clarim. Deixou o convívio sossegado de seu lar, de seus filhos, para viajar
pelo Brasil, percorrendo centenas de cidades, pregando o Evangelho e
disseminando aquelas publicações e as obras espíritas do grande missionário que
foi Cairbar Schutel.
Em todas as cidades por onde passava, fazia suas pregações doutrinárias.
Profundo conhecedor dos textos evangélicos, esmiuçava-os com profundidade e com
bastante clareza, tornando-os inteligíveis para todos.
Usando longas barbas brancas, se apresentava em suas palestras e às pessoas
assim: Sou Leão mas não rujo, sou Pitta mas não pito.
Em suas peregrinações doutrinárias pelo Paraná, Pitta era acompanhado das
confrades D. Carlota e D. Araci (ainda viva hoje). Conta-se que certa vez usou
como tema de sua palestra A Paciência. Depois de brilhante exposição, a palavra
retornou ao Presidente do Centro Espírita que começou a falar, falar... Como já
se passasse quase o mesmo tempo de sua palestra, Pitta sutilmente cutucou o
dirigente na canela por debaixo da mesa, tendo ele percebido ser tempo de
encerrar a reunião: Bem, meus irmãos, parece estar na hora de encerrarmos
nossa reunião, porque nosso irmão Pitta falou da paciência, mas parece que ele
não está com muita não!
Aos 75 anos, João Leão Pitta foi operado da próstata e viveu mais seis anos. No
Hospital, a enfermeira comentou que ele era um leão mesmo, ao que, fazendo a
cara de sério, mas levando na brincadeira, respondeu: para tal, só me falta
o rabo.
Quando desencarnou, no velório, sua grande companheira de Espiritismo, D.
Eugênia da Silva, contou que ele previra sua passagem para quando sua filha
completasse 43 anos.
Na cidade que escolheu para viver, o Jornal de Piracicaba homenageou-o com o
artigo “O português honesto de Piracicaba”
Fontes: Pesquisas de sua neta Áurea Amélia Pitta Rocha; e livro Grandes Vultos
do Espiritismo de Paulo Alves Godoy
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